Squares and monuments
Squares and other historical heritage monuments
Construído entre 1731 e 1799, por determinação régia, D. João V, o Aqueduto das Águas Livres constituiu um vasto sistema de captação e transporte de água, por via gravítica. Resistiu incólume ao Terramoto de 1755. Classificado como Monumento Nacional desde 1910 é considerado uma obra notável da engenharia hidráulica.
A concretização desta obra implicou o recurso às nascentes de água das Águas Livres integradas na bacia hidrográfica da serra de Sintra, na zona de Belas, a noroeste de Lisboa.
O trajeto escolhido coincidia, em linhas gerais, com o percurso do antigo aqueduto romano. Preocupado com a falta de água na cidade, o Procurador da Cidade, Cláudio Gorgel do Amaral, em 1728, estabeleceu um imposto denominado Real de Água, lançado sobre bens essenciais como o azeite, o vinho e a carne. Um ano depois, em 1729, foram nomeados três homens para a elaboração do plano de construção do sistema que incluiria a construção de um troço monumental do aqueduto sobre o vale de Alcântara. Esses três homens eram António Canevari, arquiteto italiano, o Coronel Engenheiro Manuel da Maia e João Frederico Ludovice, arquiteto alemão, responsável também pelo Convento de Mafra.
No total, o sistema do Aqueduto das Águas Livres, dentro e fora de Lisboa, atingia cerca de 58 km de extensão em meados do século XIX, tendo as suas águas deixado de ser aproveitadas para consumo humano a partir da década de 60, do século XX.
Atualmente é possível fazer um passeio guiado pela extraordinária arcaria do vale de Alcântara, numa extensão de 941m, é composta por 35 arcos, incluindo, entre estes, o maior arco em ogiva, em pedra, do mundo, com 65,29 m de altura e 28,86 m de largura.
Na História da sua existência está igualmente associado um dos Mitos e Lendas de Lisboa, o serial killer, Diogo Alves, o “Pancada” ficou para a história como um dos maiores criminosos de Lisboa do século XIX. As vítimas eram viajantes, comerciantes e estudantes que usavam um caminho estreito no alto do aqueduto como atalho para o centro de Lisboa. Diogo surpreendia as vítimas, roubava as seus pertences e as matava, atirando-as do alto do aqueduto. Como eram pessoas pobres, a polícia não se esforçava para investigar, e as mortes geralmente eram tratadas como suicídios. O número de vítimas é incerto, uma vez que se associaram estes repetidos acontecimentos a uma vaga de suicídios; no entanto, pensa-se que ultrapassaram as 70 mortes. O aqueduto depois de tantos crimes por resolver, ficou fechado ao trânsito de pessoas, em 1837 e durante várias décadas.
